O que o fluxo e mobilidade pode nos contar sobre a sociedade?
O fluxo das pessoas e os meios que utilizam para se deslocar pode nos dizer muito a respeito de hábitos, estilo de vida e outras características de uma cidade.
Em uma coleta realizada pela equipe do Lab Rua foi possível obter dados a respeito da circulação de pessoas ao longo do dia em três pontos consideravelmente movimentados na cidade de Campina Grande. Eles contabilizaram a quantidade de diferentes veículos e pedestres a cada 15 minutos, das 6h até as 20h de um dia, nos 3 pontos: monumento dos burrinhos, estátua de Jackson do pandeiro e Luiz Gonzaga e em frente ao Bobs.
O transporte na cidade
Foram observados 6 diferentes meios de transporte fazendo parte do fluxo nesses pontos: carro, moto, onibus, caminhão, bicicleta e a caminhada comum. Podemos observar no gráfico abaixo a frequência contabilizada para cada horário do dia.
Para cada hora do dia, para cada ponto de observação, foi somada a frquência de cada meio utilizado. Você pode clicar nas opções de lugares para observar a contagem separadamente ou selecionar a opção "todos", que é a mediana utilizando as somas de cada ponto e dá uma visão geral sobre o fluxo.
Selecionar local:
Ordenar por horário:
0
O que podemos entender sobre a opção "todos":
O ambiente na cidade
Sabe-se que veículos motorizados a partir da queima de combustível são um dos elementos que colaboram com a degradação do ambiente. Cidades em que as pessoas optam pelo uso de bicicletas, caminhada e outros meios não poluentes são vistas como mais sustentáveis.
O gráfico abaixo faz o comparativo entre o uso de meios poluentes e não poluentes ao longo do dia. Assim como o anterior, este apresenta valores de medianas dos pontos de observação. Neste especificamente não houve soma, então os valores possuem um intervalo de 15 minutos.
Entendemos a partir desssa visualização que a quantidade de meios motorizados - a.k.a. poluentes - é sempre maior que de meios não motorizados. Isso faz com que possamos perceber que Campina Grande não é uma cidade exemplo no quesito preocupação com o meio ambiente.
Apesar da primeira visualização destacar os pedestres, agora vemos que isso não é muito significativo quando dividimos nessas duas categorias.
A liberdade na cidade (?)
Observar horários e frequências das pessoas também pode nos contar um pouco sobre a segurança do lugar. Dentre os meios observados ciclistas e pedestres são os mais vulneráveis com relação a segurança, podemos analisar como homens e mulheres fazem uso do espaço público e tirar possíveis conclusões da maneira que se apresentam quanto a isso.
A visualização abaixo mostra a contagem de homens e mulheres, sendo estes ciclistas e pedestres, para cada hora observada. A soma da presença de cada um dos grupos foi feita para cada hora em cada local de observação. O valor apresentado para cada grupo é a mediana dessas somas.
Selecionar a visualização agrupada é melhor para ver e copamparar valores individualmente. A opção empilhada é mais aconselhada para ver os elementos como parte do todo.
O que os dados mostram:
Para refletir:
É comum que os horários de caminhada como exercício físico ou idas e voltas do trabalho sejam no início ou no fim do dia, mas por que há uma diferença tão grande na quantidade de homens e mulheres nesses dois períodos? Uma possível explicação é que as mulheres não se sentem seguras o suficiente para andar livremente (principalmente) a noite, isso é um reflexo da violência em nossa socidade e da maior vulnerabilidade da mulher nesse quesito.
Olhando por esse ponto de vista chegamos ao pensamento de que a liberdade individual das mulheres pode estar sendo afetada por conta da violência.
Por: Martha Michelly G M